Obra de Jamil Chade leva o leitor à intimidade da guerra na Síria e da epopeia de refugiados em busca de segurança

Lançamento do livro "O caminho de Abraão" acontecerá dia 10 de maio no Campus Sul do IESB. Obra marca estreia do jornalista na ficção

O caminho de Abraão, primeira obra de ficção do jornalista Jamil Chade, chega às lojas pela Editora Planeta. O livro conta o percurso de Hagar, uma francesa filha de imigrantes argelinos que supera todas as barreiras de sua periferia de Marselha para estudar nas melhores universidades do país. Contratada por uma multinacional, ela é enviada para coordenar investimentos milionários de uma fábrica na Síria, antes da guerra. Mas o confronto iniciado em 2011 leva aquela mulher a cumprir ordens criminosas de sua direção em Paris. O lançamento do livro acontecerá no Campus Sul do Centro Universitário IESB, dia 10 de maio, às 9h30, na Sala BA 6, com palestra de Jamil Chade.

Hagar passa a se confundir com a história de milhares de sírios que, desesperadamente, tentam driblar diariamente a morte. Sua fuga e caminho adotado pelo Oriente Médio, porém, repete o que Abraão, o patriarca das três grandes religiões monoteístas, traçou de forma mítica há milênios.

O caminho, nesta obra, também representa um percurso de toda a humanidade. Ele coloca frente à frente a morte e a tolerância, a espiritualidade e a ambição profissional, o Ocidente e o submundo de sua classe abandonada. Místico, o trajeto servirá como uma revelação. Aquelas populações modestas e rurais que ela encontraria pelo caminho - cristãos, judeus, yazidis, xiitas ou sunitas - tinham muito mais em comum que o que a propaganda de todos os lados os faziam acreditar. Em cada passo, a pergunta que se repetia era uma só: o discurso da tolerância sobrevive diante de tanto ódio e mortes? O sentimento de revanche supera o de humanismo?

Nas palavras de Chade, a mensagem do livro vai muito além de uma história pessoal de uma fuga.

“Trata-se de um grito desesperado contra o populismo, demagogia e a xenofobia. Contra líderes de todos os lados que, em nome do suposto bem de uma comunidade, defendem injustiças abomináveis contra outros seres humanos. O livro é, acima de tudo, um apelo para que passemos a ver o mundo em sua complexidade e o impacto profundo da desigualdade e da perda de direitos fundamentais, 70 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O modelo existente para combater as diversas crises faliu.

Desejaria que esse livro fosse apenas uma ficção. Mas, lamentavelmente, não o é. Vivemos um período perigoso. Liberdade de pensamento e conquistas garantidas nas últimas décadas estão sob ameaça. Um mundo em que líderes populistas contam meias-verdades e vendem soluções fracassadas. Em partes do mundo, essa política é traduzida na construção de muros. Em outras, num extremismo religioso à serviço de um projeto de poder. Não temos líderes, mas charlatões e vendedores de ilusão, sustentados pela arma do ódio e do medo.

Como humanidade, estamos perdemos todas as grandes batalhas das últimas décadas: Afeganistão, Iraque, Líbia, a das drogas na América Latina, a da criminalidade no Brasil, a do terrorismo e até contra doenças que haviam sido superadas. A paz sustentável e a segurança jamais virão da mera vitória militar em uma guerra. Mas da garantia de que todos tenham seus direitos assegurados, inclusive aqueles que não pensam como nós”.  

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com imigrantes e refugiados, visitou acampamentos da ONU na Europa, África e Oriente Médio e entrevistou membros de governos acusados de crimes de guerra. Correspondente na Europa há quase 20 anos, Chade foi eleito um dos 40 jornalistas mais admirados do Brasil e melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões.

De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, o jornalista acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, cobriu conclaves, entrevistou ganhadores do prêmios Nobel da Paz, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU por viagens pela África e se reuniu com monarcas e presidentes.

Chade faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção organizada pela Transparência Internacional e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade, estabelecida para investigar os crimes da Ditadura. Nos últimos dez anos, ele publicou cinco livros no Brasil e nos EUA. Dois deles foram finalistas do Prêmio Jabuti. Na Suíça, também recebeu o prêmio Nicolas Bouvier por sua obra sobre a fome.

FICHA TÉCNICA

O caminho de Abraão – Fé, amor e guerra em travessias separadas pelo tempo, Jamil Chade

304 páginas, R$ 45,90


Lançamento do livro

Quinta-feira, dia 10 de maio, às 9h30

Campus Sul, IESB

Asa Sul - SGAS Quadra 613/614 - Lotes 97 e 98, L2 Sul - Brasília - DF

 



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