Jornalista Cláudio Ângelo falou sobre negacionismo

Em um cenário político de avanço da extrema direita em todo o mundo, diversas figuras públicas encontraram espaço nas redes sociais para difusão de ideias negacionistas sobre as mudanças climáticas e outros assuntos da pauta ambiental. O assunto foi tema da palestra que o jornalista Claudio Ângelo ministrou a alunos do curso de Jornalismo, nesta segunda-feira, 27.

Claudio Ângelo destacou que esse movimento de negacionismo encontrou espaço nas redes sociais, já que a internet zerou o custo de veiculação de ideias, tornando-a gratuita. Claudio Ângelo citou o autor Scott Galloway, que na obra The four (com tradução para o português pela editora HSM), explica a lógica de funcionamento das principais empresas do segmento – Facebook, Apple, Amazon e Google.

Para Galloway, explica Claudio, por funcionarem a partir da lógica da segmentação de público, “o modelo de negócios das redes sociais favorece opiniões polarizadas”, já que estas geram engajamento. Como parte de um movimento mundial, negar as mudanças climáticas acabou virando um identificador da direita.

Claudio Ângelo citou ainda a obra de Naomi Oreskes e Erik M. Conway – Merchants of Doubt (sem tradução para o português) – onde os autores explicam como surgiu o negacionismo em torno do clima nos Estados Unidos. “O Brasil acabou importando esta ideologia da alt-right americana, aqui adaptada para os ruralistas”, afirmou.

Mas o que o jornalismo tem a ver com tudo isso? Na visão do jornalista Claudio Ângelo, o jornalismo precisa ir ao encontro da verdade, adotando posturas científicas, quantificando e comparando dados. “Se a fonte está mentindo é preciso informar ao leitor sobre isso”, enfatiza.

Autor de A Espiral da Morte (Companhia das Letras, 2016), Claudio Ângelo é coordenador do Observatório do Clima, entidade que reúne 47 organizações da sociedade civil, e faz os cálculos de emissões atmosféricas do Brasil.

Por Jornalismo IESB



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